Gestores passam, invariavelmente, por momentos em que precisam desligar alguém do trabalho. Isso nem sempre é uma tarefa agradável ou fácil de fazer.
Não importa se você trabalha em indústria, comércio, saúde, educação ou qualquer outro ramo. Em algum momento, você vai se deparar com o desligamento de uma pessoa.
A primeira dificuldade é assumir que aquela pessoa não atende mais às necessidades da empresa ou organização.
A segunda dificuldade é assumir a decisão – para si, para a pessoa, e para os demais.
A terceira dificuldade é efetivar o desligamento.
E por vezes, algumas pessoas têm um frio na barriga, suor ou calafrio, no momento de desligar um funcionário. Existem pessoas que até mesmo evitam o contato direto, mandando o setor pessoal dar a triste notícia e concretizar o desligamento.
Por isso, coloco algumas questões a você:
- Você já demitiu alguém? Já foi demitido alguma vez?
- Conhece alguém que foi demitido?
- A demissão é um momento agradável, ou muito desagradável?
- Como você lida com isso?
Ninguém demite ninguém
Na verdade nenhuma das questões acima pode ser respondida com um SIM. Ninguém demite ninguém!
Quando fiz esta afirmação, por ocasião de uma palestra recente, notei que os olhares dos presentes ficaram arregalados, em minha direção.
Alguns pareciam fulminantes, como se eu tivesse dito a maior inverdade do mundo. Alguém possivelmente pensou: “Como alguém pode fazer uma afirmação destas? Tive um colega que perdeu o emprego na semana passada?”
Um outro deve ter achado a sua empresa uma tremenda irresponsável, pois contratar uma palestra de um “profissional” que se atreve a dizer tamanha bobagem!
E, tão logo, encerrei minha fala, nos debates, uma das primeiras questões foi no sentido de explicar melhor “aquela coisa que você falou de que ninguém é demitido”.
Quando fiz a afirmação, eu estava tratando do assunto de que as empresas precisam definir claramente as responsabilidades específicas de cada profissional. Esta é uma das premissas mais importantes na gestão de pessoas, entretanto, muitas vezes relegada a segundo plano.
Na resposta à plateia, fiz uso de uma experiência recente, relatada por Luciano Lima, um colega da área de administração:
- Meu colega havia me falado de uma experiência recente, com um grupo de alunos na faculdade de administração. Ele solicitara aos alunos que descrevessem, cada uma, suas responsabilidades na empresa. Alguns tiveram dificuldade, mas, afinal, diante da “pressão do professor”, acabaram completando a tarefa;
- Em seguida, ele solicitou aos alunos que, no dia seguinte, na empresa, pedissem aos seus respectivos chefes, que descrevessem suas (deles) responsabilidades específicas.
- A surpresa geral – para os alunos – foi que houve muita divergência entre o que eles haviam relacionado e as respostas de seus gerentes ou supervisores.
E voltei-me para a plateia, perguntando se havia alguém que apostaria que, ao repetir a experiência descrita acima, assumiria menos que 40% de divergência entre sua resposta e a de seu superior imediato.
Silêncio…
Silêncio foi o que tive como resposta!
O que isto significa?
Que temos, com frequência, um sério problema de desconhecimento das responsabilidades das pessoas nas empresas. Daí, podemos perguntar:
- Como é que as empresas conseguem alcançar seus resultados, diante de tanta definição imprecisa de responsabilidade?
Não conseguem!
Ou, quando conseguem, o fazem com níveis de qualidade e produtividade bem abaixo do que poderia ser alcançado.
E o que tudo isto tem a ver com o fato de ninguém ser demitido?
As pessoas deixam o cargo, função que ocupam, por não cumprirem suas responsabilidades, seus resultados, suas metas.
Assim, elas não são demitidas!
Elas se demitem!
As pessoas se demitem!
Isto mesmo:
- Ninguém demite ninguém nas empresas. As pessoas se demitem!
“Como assim”, perguntou, José, meu interlocutor na plateia: “por que as pessoas se demitem?”
Porque não alcançam o resultado desejado por quem os contrata, respondi. E por que não conhecem as responsabilidades específicas do cargo ou função que ocupam.
“Mas a obrigação de definir isto não é da empresa, do superior?”
Claro que sim! Mas será que é só da empresa ou do seu chefe? Você não é có responsável por isto?
Se você chega a uma empresa e não definem o que você deve fazer, não lhe dizem para O QUE você foi contratado, você vai permanecer lá?
A decisão é sua. Ninguém lhe obriga a ficar lá.
O que fazer, então?
“Então o que devemos fazer?”, perguntou José.
Respondi que há duas maneiras de proceder:
- Se você é o gestor, contratante, defina claramente as responsabilidades especificas do subordinado, e os resultados a serem alcançados;
- Se você é o subordinado, exija que o seu superior, contratante, defina suas responsabilidades especificas, e os resultados que a empresa espera de você.
Resolvido isto. Temos, TODOS NÓS, que corresponder à expectativa de quem nos contratou.
E, se não estivermos alcançando os resultados desejados, saberemos, NÓS, sem que o chefe precise nos comunicar, que não estamos correspondendo à expectativa. Assim, estamos nos demitindo.
Caso o subordinado não tenha a atitude profissional que se espera de qualquer um, caberá ao chefe comunicar que ele está se demitindo, por não fazer O QUE tem que ser feito.
Entendeu? Ninguém demite ninguém, APENAS COMUNICA, quando aquele que deveria se tocar não se toca.
Convido você a assistir ao vídeo “A desgraça do protegido é o protetor” de nossa série de vídeos FAÇA GESTÃO COMO DIZ O DITADO, e ver alguns cuidados a mais sobre como lidar com sua equipe.