Quem precisa lidar com isso?
Conforme conversamos em outros artigos, gestão é “alcançar resultados através de, e com, pessoas”.
Assim, dentre as atividades de um gestor, em qualquer nível, uma das principais atribuições é sobre orientação, suporte e acompanhamento do trabalho das pessoas.
Aí surge uma questão: qual profissional merece mais atenção? Como dividir a atenção entre os membros da sua equipe?
Com frequência, um gestor costuma se dividir sobre quem merece maior atenção, dentre aqueles que compõem sua equipe de trabalho.
Exatamente por isso trago algumas questões relacionadas ao tema.
- Você já percebeu que as escolas parecem privilegiar o mau aluno, dando-lhes mais atenção, dedicando-lhes mais esforço e tempo?
- De maneira análoga, parece que damos mais atenção ao funcionário lento e atrasado, em vez de ressaltar o bom desempenho dos melhores. Faz sentido?
- Pense bem: você passa mais tempo, e dedica mais atenção, aos seus melhores profissionais, ou àqueles de desempenho inferior?
Em resumo, coloco a questão:
Como dividir a atenção a cada profissional de sua equipe, de modo a alcançar bons resultados?
- Devo dedicar-me mais a quem precisa mais?
- Devo dedicar-me igualmente a cada um?
- Devo dedicar-me conforme as solicitações de cada um?
O aluno que não precisava de acompanhamento
Certa vez participei de uma discussão sobre avaliação de desempenho.
Falávamos sobre como dividir a atenção e nosso tempo entre os profissionais que tem os melhores e os piores desempenhos. Um dos presentes deu o seguinte depoimento:
Depoimento
Recentemente fui ao colégio, após o período de avaliações trimestrais, conversar com os professores, sobre meu filho. Ele havia tido um bom desempenho, com notas entre 8,5 e 10 no conjunto das disciplinas cursadas.
Qual não foi minha surpresa e “decepção” com os professores – postura frequente – em dizer que o aluno tinha bom comportamento, bom desempenho e um sentimento de “não tenho muito a falar de seu filho”. Um dos professores chegou a dizer algo parecido com “nada tenho a dizer do estudante”. Um outro perguntou “o que o senhor veio fazer aqui, seu filho vai tão bem”?
Esta não foi a primeira vez que observei tal comportamento por parte de professores. Cheguei a lembrar de um professor do ano anterior que, diante do bom desempenho do aluno, chegou a afirmar “olha, o seu filho tirou excelentes notas, tem bom comportamento, e isso é tudo, nada há mais a dizer”, dando a entender que tinha coisas mais importantes com que se preocupar e não tinha como dividir a atenção com seu filho.
Como pais, ficamos lisonjeados em receber elogio pela conduta de nossos filhos. PORÉM, fico a refletir: parece que colégios e professores tendem a se preocupar mais com aqueles que têm mau comportamento e mau desempenho. É como se fossemos persona non grata na reunião individual de pais e mestres; algo do tipo: o que vocês estão fazendo aqui?
Como pais clientes, temos o direito de ouvir os professores sobre como anda o nosso filho, seus pontos fortes, e não apenas as reclamações sobre o desempenho ruim do estudante. Como pessoas que procuram educar para que os filhos sejam bons em termos pessoais e profissionais, é importante saber onde o bom pode ser melhorado.
Fiquei pensando, como profissional de gestão, que passa o tempo a falar, escrever e instigar pessoas, profissionais e organizações, a agirem melhor.
Como agimos com nossa equipe: privilegiamos os bons ou os ruins?
Logicamente, a resposta, sobretudo a resposta politicamente correta, tenderá a afirmar que privilegiamos os bons.
Ou mesmo equilibramos o tempo conforme a necessidade.
Ou seja, aprendemos como dividir a atenção entre os que precisam e os que nem tanto assim.
Então faço-lhe algumas perguntas:
- Costumamos passar mais tempo com os profissionais que alcançam suas metas, ou os deixamos irem para casa e nos dedicamos ao restante da equipe, a fim de que alcançar suas metas antes do fim do mês?
- Costumamos dividir a atenção e nos preocupar com nossos maus profissionais, com a mesma ênfase com que nos preocupamos com os bons?
- Os filhos que costumam ter mais atenção dos pais são aqueles que dão conta do recado, ajudando inclusive na criação do mais novos? Ou os pais costumam dedicar-se mais aos filhos brincalhões, que andam mau na escola, ou mesmo tendo algum comportamento incompatível com a educação recebida no lar? Quando isto acontece, até usam como justificativa que precisam ajudar mais aqueles mais necessitados!
- Costumamos passar mais tempo falando, reclamando e comentando, dos funcionários que agem com responsabilidade e correção, ou daqueles que se comportam com insegurança e lentidão?
- Costumamos, com mais frequência, buscar apoio de amigos ou profissionais, para ajudar o profissional que dá resultado ou aquele que se sente desqualificado?
Enfim. parece haver uma tendência a adotarmos a “síndrome do coitadinho”. Isso nos leva a dedicar mais tempo, esforço e atenção aos que dão menos resultado. Não deveria ser o contrário?
Se cada hora que dedicamos ao bom profissional, filho ou aluno, eu obtenho um resultado superior, por que agimos de modo inverso?
Estamos vivendo a era da competitividade, onde se destacam aqueles que obtém melhores resultados. Então, por que privilegiar o ruim?
Por dó? Agindo assim, onde vamos chegar?
Não estou defendendo abandonar os fracos e mais necessitados!
Longe de mim propor um absurdo destes. Estou defendendo sim, que aprendamos como dividir a atenção e equilibremos nossos recursos, tempo, atenção, de forma mais justa. Não podemos dedicar tudo para quem mais precisa, e nada para quem mais merece!
Alguns dirão que é um ato de amor.
Por quem? Pergunto. O bom também não merece amor?
Quem sabe se você dedicar um pouquinho mais ao bom filho, não acabará tendo mais recurso e tempo, mais adiante, para cuidar do outro, que tanto necessita?
Pense bem em como você está repartindo seu tempo, esforço e atenção, entre e com seus filhos, subordinados, alunos, orientandos de pós graduação, e outros que precisam tanto de você!
Pense nisso, reflita, e compartilhe com todos!
Está gostando desse artigo? Então clique aqui para acessar outros materiais
Como dividir a atenção, tempo e dedicação entre os membros de sua equipe
- Em qualquer contexto, PLANEJE. Seja nos negócios, na carreira, numa empresa privada ou instituição pública, na vida particular ou profissional, com sua equipe de trabalho ou com seus filhos, grupo de voluntários ou de estudo, existe a necessidade de Planejar. Mas o que é planejar? No artigo sobre o PDCA apresentei o ODCA, e vemos ali, que Planejar é, essencialmente, definir objetivos, metas e métodos.
- DEFINA OBJETIVOS INDIVIDUAIS, com cada membro de sua equipe. Tenha clareza sobre os objetivos que cada uma das pessoas deve alcançar.
- Para cada objetivo, defina metas
- Para cada meta, defina métodos. Caminhos que permitirão chegar às metas
- Compartilhe
- Acompanhe de forma compartilhada. Com cada um, a seu tempo.
- Faça ajustes.
- A partir daí, vá avaliando seu esforço, enquanto apoio atenção e orientação, e comparando com os resultados alcançados.
- Faça um comparativo entre seu esforço e o resultado alcançado, dentre os diferentes membros.
- Defina seu cronograma!
Gostou do artigo? Então clique aqui para acessar outros materiais
Convido você a conhecer o Guia Gestão Simplificada / curso Gestão Simplificada